ABRE OS OLHOS LULA ! ! !
Uma leitura, mesmo superficial, dos documentos e declarações produzidos na reunião de representantes da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), realizada em Caracas, revela claramente os propósitos do coronel Hugo Chávez para a região. Ele não se contenta em dominar a Venezuela com mão-de-ferro, controlando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário e, agora, em franca ofensiva contra o pouco que restou de uma imprensa outrora livre. Chávez quer superar os feitos de seu ídolo, Simón Bolívar. No século 19, Bolívar - com a ajuda de San Martín e outros notáveis generais - libertou os países andinos do jugo colonial espanhol, mas não conseguiu completar o seu projeto político, que era manter aquelas províncias unidas. O objetivo do caudilho do século 21 é voltar 190 anos no tempo, recompondo a unidade do vice-reinado de Nova Granada e consolidando o projeto bolivariano da Grande Colômbia.
A Alba, constituída pela Venezuela, Cuba, Nicarágua e Bolívia, é o núcleo do projeto. O Equador do presidente Rafael Correa é um sério candidato a engrossar o grupo. Ficariam faltando, para completar o pastiche geopolítico, o Peru e o Panamá - mas os governos desses países nem querem ouvir falar em alianças com Chávez.
Na reunião de Caracas, por exemplo, os membros da Alba decidiram criar, no prazo recorde de 60 dias, o Banco da Alba, para financiar os projectos de desenvolvimento e integração que já foram acertados - e cujo número continua crescendo vertiginosamente. Apenas com Cuba, a Venezuela assinou acordos para desenvolver 353 projectos. Com os outros países do bloco, os projectos também se contam pelas centenas.
E, como para o coronel Chávez as palavras são tudo - recorde-se que fez questão de mudar a sigla da Comunidade Sul-Americana de Nações de Casa para Unisur -, esses projectos não são chamados de binacionais ou de multilaterais. Eles são “granacionales”. Pois é isso o que ele pretende: fazer daqueles países uma grande nação, ou, como definem os documentos oficiais, “a união integral de nossas Repúblicas em uma só nação, como sonharam nossos próceres”. …///…
De tempos em tempos, denuncia um complô do governo americano para assassiná-lo ou para invadir o país. Agora, para coroar a reunião da Alba, propôs a seus sócios a assinatura de um pacto de defesa, para protegê-los “do terrorismo e agressão permanentes dos Estados Unidos”.
No ano passado, Chávez convenceu o presidente Evo Morales a assinar um acordo de “cooperação” na área de defesa que praticamente deixa a Bolívia em suas mãos. A pretexto de “complementar as capacidades de defesa de cada país”, a Venezuela terá ingerência na organização e na capacitação das Forças Armadas bolivianas. Além disso, construirá quatro bases militares em território boliviano, que guarnecerá com “assessores”, e os militares venezuelanos poderão interferir directamente caso haja qualquer conflito que ponha em risco as instituições bolivarianas criadas por Evo Morales no molde chavista.
Agora, disse o caudilho a seus seguidores, “parece que chegou o momento de acertarmos uma estratégia de defesa conjunta, para que ninguém possa cometer nenhum erro contra nossos povos”.
Hugo Chávez está armando a Venezuela até os dentes. Como o país não enfrenta nenhuma ameaça externa, os aviões, helicópteros, tanques e fuzis que está comprando de certo são uma forma de consolidar o apoio das Forças Armadas a seu regime - que não é monolítico, ao contrário do que ele diz - e de garantir, numa eventualidade, a “lealdade” do povo. De qualquer forma, o programa militar de Hugo Chávez, conseqüente com seus projetos políticos de criação de uma “Confederação de Estados” - obviamente sob seu comando -, altera o equilíbrio regional. O governo brasileiro deve estar atento a isso.
IN JORNAL DO BRASIL 10/06/2007
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